Tecnologia

Digitalização de próteses dentárias avança na rede pública de saúde

O Ministério da Saúde iniciou oficinas práticas para capacitar profissionais envolvidos na produção de próteses dentárias digitais no Sistema Único de Saúde (SUS). A formação alcança municípios de todas as regiões do Brasil e integra uma estratégia de modernização dos Laboratórios Regionais de Próteses Dentárias, estruturas responsáveis por atender a demanda da rede pública de saúde bucal.

Divulgada em 28 de setembro de 2026, a iniciativa é voltada a cirurgiões-dentistas e técnicos em prótese dentária. O treinamento aborda o uso de scanners intraorais, softwares de planejamento, impressoras 3D e equipamentos empregados nas etapas de lavagem e pós-cura das peças. Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo é ampliar a capacidade produtiva, a agilidade e a padronização dos serviços.

Como funciona o fluxo digital de produção

O processo começa com a captura das estruturas bucais por meio de um scanner intraoral. O equipamento gera um modelo tridimensional que pode ser trabalhado em um software específico de planejamento. A partir desse arquivo, a prótese é produzida com impressão 3D, substituindo ou reduzindo etapas convencionais de moldagem e fabricação.

Depois da impressão, o fluxo inclui lavagem, pós-cura, acabamento, caracterização, ajustes e instalação clínica. A adoção dessas tecnologias não elimina a participação dos profissionais de odontologia e dos técnicos responsáveis pelo trabalho laboratorial. Ao contrário, exige treinamento para que as equipes operem os equipamentos e integrem as diferentes fases da produção nos serviços públicos.

A proposta também busca organizar um fluxo padronizado entre a avaliação clínica, o planejamento digital e a confecção da prótese. Na prática, a digitalização passa a fazer parte da rotina dos laboratórios vinculados à política de saúde bucal do SUS, com a incorporação de equipamentos e procedimentos previstos em normas do próprio Ministério da Saúde.

Mais de 300 municípios já receberam equipamentos

De acordo com o Ministério da Saúde, 316 municípios já haviam recebido os equipamentos até a divulgação da iniciativa. A previsão é entregar 500 kits a 409 municípios. A diferença entre o número de kits e o de cidades ocorre porque alguns municípios receberão mais de um conjunto, conforme o porte populacional e a necessidade local.

A distribuição tem alcance nacional e inclui municípios das cinco regiões brasileiras. O recorte amplia a presença da tecnologia na rede pública para além de centros isolados, embora a implementação dependa da estrutura disponível em cada laboratório e da preparação das equipes que utilizarão os equipamentos.

A formação está organizada em duas etapas. Primeiro, os profissionais participam de uma fase teórica virtual. Depois, são realizadas oficinas presenciais, conduzidas por professores da Universidade Federal de Uberlândia, instituição parceira do projeto. A combinação entre conteúdo remoto e treinamento prático permite apresentar os fundamentos do fluxo digital e, em seguida, trabalhar diretamente com os aparelhos e sistemas utilizados na produção.

Tecnologia passa a integrar a política de saúde bucal

A incorporação dos recursos digitais foi pactuada anteriormente na Comissão Intergestores Tripartite. Em julho de 2026, o Ministério da Saúde informou que scanners intraorais, impressoras 3D e softwares seriam integrados aos laboratórios do SUS. Na mesma ocasião, a pasta registrou que a produção anual do sistema chegava a cerca de 1,2 milhão de próteses dentárias.

O acordo também previu a possibilidade de aumento de 30% no custeio mensal dos laboratórios que incorporarem o fluxo digital. A medida relaciona a adoção dos equipamentos ao financiamento e à capacidade de funcionamento dos serviços, criando uma conexão entre modernização tecnológica e organização da assistência pública.

O tema foi formalizado ainda pela Portaria GM/MS nº 11.397, de 25 de maio de 2026. A norma incluiu procedimentos odontológicos realizados em fluxo digital na tabela do SUS e associou o uso dessas tecnologias a ganhos de precisão, padronização do processo produtivo e redução de etapas clínicas e laboratoriais.

Com as oficinas, o Ministério da Saúde concentra esforços na preparação dos profissionais que estarão à frente da operação dos equipamentos. A iniciativa representa uma mudança tecnológica na produção de próteses dentro da rede pública e reforça a participação de laboratórios regionais, gestores e equipes de saúde bucal na implementação do novo modelo.

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