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FIDCs e o papel do crédito estruturado na economia

Nos últimos anos, o mercado de crédito brasileiro passou a contar com instrumentos financeiros cada vez mais sofisticados para financiar empresas fora do circuito bancário tradicional, sobretudo em setores com grande volume de recebíveis e de operações comerciais recorrentes. Pedro Henrique Torres Bianchi, consultor em processos de reestruturação e negociação extrajudicial de dívidas, menciona que os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, conhecidos como FIDCs, ocupam papel relevante nesse movimento, ao viabilizar operações de crédito estruturado lastreadas em recebíveis de diferentes naturezas.

A lógica por trás dos FIDCs consiste em transformar direitos creditórios, como duplicatas e recebíveis comerciais, em ativos financeiros negociáveis por investidores institucionais. O formato amplia o acesso das empresas a capital de giro, ao mesmo tempo em que oferece aos investidores institucionais uma alternativa de exposição ao crédito com características próprias de risco e retorno, distintas das encontradas em outros produtos financeiros tradicionais disponíveis no mercado.

Como funciona a estrutura de um FIDC no mercado de crédito?

Um FIDC reúne recursos de investidores para adquirir carteiras de recebíveis originados por empresas de diferentes setores, mediante deságio previamente estabelecido em contrato. A estrutura costuma ser organizada em cotas seniores e subordinadas, cada uma com nível distinto de prioridade no recebimento e de exposição a eventuais inadimplências, o que permite calibrar o perfil de risco e de retorno de cada classe de investidor conforme seu apetite ao risco.

Pedro Bianchi indica que a qualidade da originação dos recebíveis e a solidez dos critérios de elegibilidade adotados pelo gestor do fundo influenciam diretamente a performance da carteira, especialmente em cenários de maior volatilidade no mercado de crédito e de retração da atividade econômica.

Por que o crédito estruturado ganhou espaço na economia brasileira?

O crescimento do crédito estruturado no Brasil está associado, em parte, às restrições de acesso ao crédito bancário tradicional enfrentadas por empresas de médio porte ao longo das últimas décadas. Operações estruturadas, como as realizadas por meio de FIDCs, oferecem condições mais flexíveis, com prazos, garantias e cronogramas de amortização moldados às particularidades de cada setor econômico e ao perfil de recebíveis originados pela empresa.

Pedro Henrique Torres Bianchi
Pedro Henrique Torres Bianchi

De acordo com Pedro Henrique Torres Bianchi, esse tipo de estrutura também atrai empresas que buscam diversificar suas fontes de captação, reduzindo a dependência de uma única linha de crédito e distribuindo o risco de financiamento entre diferentes instrumentos disponíveis no mercado de capitais.

FIDCs e bancos tradicionais: como se diferenciam na oferta de crédito?

Enquanto o crédito bancário tradicional costuma exigir garantias reais e passar por processos de análise mais padronizados, os FIDCs permitem estruturas de garantia baseadas na qualidade dos próprios recebíveis originados pela empresa. A característica amplia o acesso ao crédito para negócios com menor histórico bancário consolidado, mas com fluxo de recebíveis previsível, bem documentado e originado de forma recorrente.

Pedro Bianchi expõe que a agilidade na formatação das operações também diferencia o crédito estruturado do modelo bancário convencional, já que a análise recai sobre a carteira de recebíveis, sobre o setor de atuação e sobre a qualidade dos sacados, e não exclusivamente sobre o balanço contábil da empresa tomadora.

Riscos e critérios de análise em operações de crédito estruturado

A concentração excessiva em poucos saques, a qualidade da originação e a governança do gestor do fundo figuram entre os principais fatores de risco associados a operações de crédito estruturadas. Falhas nesses critérios tendem a comprometer a performance da carteira, a liquidez das cotas e a confiança dos investidores ao longo do tempo, além de dificultar futuras captações do mesmo gestor no mercado.

Pedro Henrique Torres Bianchi enfatiza que a análise criteriosa desses fatores, aliada a mecanismos de monitoramento contínuo da carteira e a relatórios periódicos de desempenho, contribui para a solidez das operações estruturadas e para a manutenção do papel dos FIDCs como alternativa relevante de financiamento empresarial na economia brasileira.

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