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Entenda como a tecnologia está transformando grandes obras

Diego Borges examina como o BIM, sigla em inglês para Modelagem da Informação da Construção, e outras tecnologias estão transformando a forma de planejar e executar grandes obras. Antes de um viaduto, uma estação de tratamento ou um hospital sair do papel, ele já pode existir em versão digital, com cada tubulação, viga e cabo posicionado em um modelo tridimensional.

Do desenho ao modelo digital

O BIM reúne em um único modelo virtual a geometria da obra e as informações associadas a cada elemento, como materiais, quantidades e etapas de execução. Quando o modelo é ligado ao cronograma, ganha a dimensão de prazo, conhecida como 4D. Quando é ligado ao orçamento, permite acompanhar custos.

A principal mudança em relação ao projeto tradicional é a integração. Arquitetura, estrutura, instalações elétricas e hidráulicas passam a ser desenvolvidas sobre a mesma base, o que facilita identificar conflitos antes de a obra começar.

O que a lei já prevê?

O uso do BIM tem respaldo legal no país. O Decreto 10.306, de abril de 2020, estabeleceu a utilização do BIM na execução direta ou indireta de obras e serviços de engenharia realizados por órgãos e entidades da administração pública federal, dentro da Estratégia BIM BR. A Lei 14.133, de 2021, a nova Lei de Licitações, prevê que o BIM seja adotado preferencialmente nas licitações de obras e serviços de engenharia e arquitetura, sempre que for adequado ao objeto. A estratégia foi atualizada em 2024 pelo Decreto 11.888.

Para Diego Borges, esse movimento mostra que a tecnologia deixou de ser diferencial e passa a fazer parte do padrão de contratação de obras públicas.

Diego Borges
Diego Borges

Menos retrabalho, mais previsibilidade

Os benefícios apontados pela literatura técnica incluem simulações mais precisas, planejamento do canteiro e custos e prazos mais confiáveis. Com a compatibilização feita no modelo, interferências entre disciplinas são resolvidas ainda no escritório, e não durante a execução.

Isso tem efeito direto sobre os aditivos contratuais, que muitas vezes surgem de falhas de projeto. Menos mudanças no meio do caminho significam menos atraso, menos custo adicional e mais previsibilidade para quem contrata e para quem executa.

Há ainda o efeito sobre a fiscalização. Um modelo digital facilita a extração de quantitativos e a comparação entre o que foi projetado e o que foi medido em campo, o que dá mais transparência ao acompanhamento por órgãos de controle. Em obras públicas, em que o recurso é do contribuinte, essa rastreabilidade ajuda a verificar se o valor pago corresponde ao serviço entregue. Também facilita a comunicação entre as equipes, que passam a trabalhar com a mesma versão do projeto e reduzem divergências entre o que foi desenhado e o que é construído.

Tecnologia que se soma

O modelo digital é a base para outras ferramentas. Imagens aéreas e sensores podem alimentar o acompanhamento do avanço físico, e dados de operação podem retroalimentar o projeto de obras futuras. Para Diego Borges, cada nova camada de informação aumenta a capacidade de decisão da equipe técnica.

Pessoas e processos primeiro

Nenhuma ferramenta funciona sozinha. A adoção do BIM pressupõe investimentos e inovação em processos, e isso inclui treinamento de equipes, padronização de informações e definição clara de responsabilidades entre projetistas, construtores e contratantes.

Na avaliação de Diego Borges, o ganho real vem quando a tecnologia é tratada como parte de uma mudança de método. Projetos mais bem preparados, equipes mais capacitadas e dados mais confiáveis formam o conjunto que permite entregar obras melhores, no prazo e no custo previstos.

 

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