Dalmi Defanti, fundador da Gráfica Print e especialista em assuntos gráficos, acompanha as mudanças provocadas pela inteligência artificial no setor. A tecnologia já começou a modificar tarefas relacionadas à criação, ao atendimento, à produção e à gestão, trazendo novas possibilidades para as gráficas. Nesse cenário, acompanhar essa transformação não significa apenas adquirir ferramentas, mas entender onde elas podem ser aplicadas e quais atividades ainda dependem de conhecimento técnico, análise e decisão humana.
Saiba mais a seguir!
A gráfica precisa entender primeiro o que a IA realmente faz?
Antes de incorporar qualquer ferramenta, é necessário compreender que inteligência artificial não é sinônimo de automação completa. Existem recursos capazes de gerar imagens, textos, sugestões de composição e diferentes alternativas para uma mesma demanda. Outros podem auxiliar na organização de informações ou na execução de tarefas repetitivas. Cada aplicação resolve um tipo de problema. Entender essas diferenças ajuda a empresa a definir expectativas realistas e evitar investimentos ou mudanças que não respondam às suas necessidades.
Para uma gráfica, essa distinção é importante porque nem toda etapa do trabalho precisa ou deve ser automatizada. A tecnologia pode acelerar determinadas atividades, enquanto outras continuam exigindo conhecimento sobre materiais, processos de impressão, acabamento e controle de qualidade. Conforme elucida Dalmi Defanti, entender essa divisão ajuda a evitar o uso da tecnologia apenas porque ela está disponível. O conhecimento técnico continua sendo necessário para avaliar se o resultado produzido digitalmente pode ser aplicado corretamente na produção física.
O aprendizado, portanto, começa pela identificação das necessidades reais da operação. Em vez de perguntar qual ferramenta de inteligência artificial está na moda, a empresa pode avaliar quais tarefas consomem mais tempo, onde ocorrem erros recorrentes e quais processos poderiam ganhar agilidade sem comprometer o resultado final. A partir dessa análise, fica mais fácil escolher recursos que tenham uma função definida e possam ser incorporados de maneira coerente ao trabalho.
Como a IA pode mudar a rotina de uma gráfica?
Uma das principais possibilidades está na automação de tarefas que seguem padrões. Atividades relacionadas à organização de informações, preparação de determinados materiais e criação de alternativas podem receber auxílio tecnológico. Com isso, profissionais conseguem dedicar mais tempo às etapas que dependem de análise, revisão e relacionamento com o cliente. Esse uso pode reorganizar a rotina da equipe, permitindo que o tempo poupado em tarefas repetitivas seja direcionado para atividades que exigem maior atenção.

No entanto, como ressalta Dalmi Defanti, ganhar velocidade não significa eliminar a necessidade de conferência. Uma imagem gerada por inteligência artificial pode apresentar problemas de proporção, detalhes inadequados ou características que não funcionam quando transportadas para uma peça impressa. O arquivo precisa continuar sendo analisado antes de entrar na produção. A revisão humana é importante justamente para identificar situações que uma ferramenta pode não considerar quando o material deixa o ambiente digital.
Na Gráfica Print, essa realidade reforça uma questão própria do setor: o resultado não termina na criação digital. É preciso considerar dimensões, resolução, cores, substrato, acabamento e finalidade da peça. A inteligência artificial pode contribuir para algumas dessas etapas, mas o conhecimento gráfico continua necessário para transformar uma ideia em um produto que funcione fisicamente. Por isso, a adoção da tecnologia precisa estar acompanhada de profissionais capazes de avaliar cada resultado antes que ele avance para a produção.
O profissional gráfico também precisa mudar?
A transformação tecnológica altera não apenas as ferramentas, mas também as habilidades necessárias para utilizá-las. Saber operar um programa deixa de ser suficiente quando diferentes soluções conseguem executar parte das tarefas que antes exigiam intervenção manual. O profissional passa a precisar compreender processos, avaliar resultados e fazer escolhas.
Dalmi Defanti considera especialmente relevante essa combinação entre experiência gráfica e capacidade de adaptação. Quem conhece a impressão, materiais e acabamentos possui uma base que não desaparece com a chegada da inteligência artificial. Pelo contrário, esse conhecimento permite identificar rapidamente quando uma sugestão produzida por uma ferramenta digital precisa ser modificada.



